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20 de Novembro de 2017

Ordoliberalismo ou terceira via: existe?

Se a segunda e a terceira vias falharam, qual a via?

Marcio Carneiro, Advogado
Publicado por Marcio Carneiro
há 3 anos

Ordoliberalismo

Ordoliberalismo, também chamado ordoliberalismo alemão, é uma doutrina econômica, adotada principalmente na Alemanha do pós-guerra, que se autodenomina uma "terceira via" entre o socialismo e o capitalismo.

Existem três pontos fundamentais no conceito ordoliberal:

  1. criar uma "ordem" (ordo) que remedie as falhas dos mercados;

  2. organizar a economia com mercados eficientes e competitivos;

  3. uma "ordem" forte deve assegurar uma economia justa numa economia social de mercado.

O Ordoliberalismo é uma escola de pensamento econômico do liberalismo, que enfatiza a necessidade do Estado assegurar-se de que os livre-mercados produzam os resultados mais eficientes segundo seu potencial teórico (Veja Eficiência de Pareto), corrigindo as eventuais imperfeições dos mercados.

Essa teoria foi criada por economistas e juristas alemães como Wilhelm Röpke, Walter Eucken, Franz Böhm, Hans Großmann-Doerth, Alfred Müller-Armack e Alexander Rüstow juntamente com a Escola de Freiburg, entre 1930 e 1950. Os ideais ordoliberais, com algumas modificações, inspiraram a criação da Economia Social de Mercado na Alemanha do pós segunda guerra mundial e o consequente Wirtschaftswunder ("milagre econômico", em alemão), e é considerada a variante alemã do Neoliberalismo.

Porquê a busca pela "terceira via"?

A fuga, literalmente, do socialismo – real ou irreal -, e do comunismo – científico ou filosófico – é uma tentativa de não assumir nenhuma das responsabilidade de ser adepto de tais ideologias – pois deu no que deu durante mais de um século – e de ser industrialista – modelo econômico dos americanos libertadores da Europa, fundado para nunca haver uma tirania monarquista na América.

As ideias dos adeptos da “terceira via” não recusam as ideias do fascismo, diretamente, nem mesmo se pode identificar o ideário fascista nas respostas dos ordoliberais – ou similares. É, portanto, uma variante do socialismo, na esperança que seu “abrandamento” possa trazer a “paz social” - que só existe no comunismo – que é, agora por pessoas “do bem”, reescrita.

E não podem deixar de ser “liberais”, porque é o Liberalismo o paradigma que é buscado, por isto a presença do ideário Liberal – sob custódia socalista – para fundamentar a “terceira via”.

Esquecem-se, os pseudo-liberais – ou neo-feudalistas – que estão buscando justamente o sucedâneo para a “segunda via”, que falhou. Então, não é a “terceira-via” que os pseudo-liberais buscam, é a “segunda via”.

E justamente porque buscam no Liberalismo é que se pode concluir que não existe uma segunda via, muito menos uma terceira, que já não tem a que suceder.

Se as respostas não estivessem no Liberalismo os adeptos da “segunda via” e da “terceira via” fundamentariam seu ideário em outra corrente de pensamento, não no Liberalismo.

Direita, Centro, Esquerda

Ao se afastar de um ponto de uma reta, você está na mesma reta mas sôbre outros pontos: se é uma "reta política" então todos os pontos são iguais, ou da mesma natureza, de acordo com a taxonomia que você escolher para identificar a posição dos pontos na reta, não os pontos.

Ver um ponto da reta diferente de outro é ver um ponto de "outra reta".

"Colocar" uma idéia em um ponto da reta e “outra” em outro ponto não qualifica o ponto, nem desqualifica ou requalifica a reta, apenas distingue a posição dos pontos na reta, pois se é uma reta então seus pontos são iguais – pois fazem a reta.

O que êles querem na terceira via? Na natureza não existe igualdade, é justamente a diferença que permite a existência da vida. Porque seria diferente na vida política?

Como será possível manter a vida se todos têm acesso aos mesmos recursos, nas quantidades iguais para cada um? Ou, como saber que todos, e cada um, têm as mesmas necessidades? Como prover a todos de todos recursos necessários a cada um?

E quanto às "Falhas de Estado"?

Como:

1) criar uma "ordem" para "assegurar-se de que os livre-mercados produzam os resultados mais eficientes segundo seu potencial teórico (Veja Eficiência de Pareto), corrigindo as sempre existentes imperfeições dos Estados."?

2) organizar a economia com mercados eficientes e competitivos?

3) como "organizar" um mercado SEM a intervenção do govêrno na economia e assim eliminar a condição básica da existência do mercado: a liberdade de ação?

A "Economia Organizada" é uma economia com um único dono, do organizador.

O que são as "Falhas de Mercado"?

Como um mercado poderá funcionar se o dono da economia já definiu o que o mercado deve operar? O "mercado" passa a ser o local onde a Economia Organizada - leia-se o governo - obriga os que buscam e os que ofertam a: uns a buscarem o que o governo espera que busquem – e da forma que o governo quer -, e outros, a oferecer o que o governo decidiu que deve ser oferecido – que é o que o governo quer que seja o necessário para cada um -, pois é isto que "organiza" o mercado.

A "organização da economia" é, na verdade, a intervenção nas "necessidades" e nos "desejos" das pessoas, que passam a obedecer às "necessidades do governo" e às "necessidades da economia organizada" de terem o consumo e o comportamento das pessoas perfeitamente conhecido, pela sua prévia determinação por autoridades planejadoras, que afinal, é a designação do Planejamento Centralizado, base do comunismo e do socialismo.

Ao organizar um mercado, uma economia, um governo na verdade disciplina e organiza a distribuição do que é autorizado a ofertar e a consumir: distributivismo.

Todos terão tudo que estiver disponível e a cada dia terá menos para distribuir. Um mercado poderá funcionar se o dono da economia já definiu o que o mercado deve prover, quanto e para quem?

Todos terão tudo que estiver disponível e a cada dia terá menos para distribuir, pois como não haverá a competição pelos recursos ambientais e pela força de trabalho com a respectiva remuneração diferente de acordo com a capacidade de cada participante do MERCADO, haverá menor produção e em qualidade inferior, o que exigirá maior produção, o que já vimos que não vai ocorrer.

Analisando a questão proposta pelos ordoliberais – e similares:

Propostas pseudo-liberais

Criar uma "ordem" (ordo) que remedie as falhas dos mercados.

    Em primeiro lugar há que determinar e definir o que seriam as falhas de mercado. Há uma?

    Mais de uma?

    Qual mercado?

    Qualquer mercado?

Todos os mercados?

    Como um Falha de Mercado se relaciona com outra Falha de Mercado em produtos - ou serviços - que pertencem a dois um mais mercados?

    Se os mercados têm suas próprias leis econômica, como seriam propostas as leis de ordem do mercado?

Organizar a economia com mercados eficientes e competitivos.

    Qual a definição de um mercado eficiente?

    Qual a definição de um mercado competitivo?

    Em um mercado competitivo, quem compete? E como competir com o governo que instala e garante a competitividade do mercado?

Uma "ordem" forte deve assegurar uma economia justa numa economia social de mercado.

    Qual a possibilidade de uma ordem ser justa se impõe ao MERCADO um comportamento que, necessariamente, não vai atender a um ou a outro participante do MERCADO?

    Como ter um MERCADO SOCIAL - pois se a ECONOMIA é SOCIAL então, necessariamente, os MERCADOS TÊM de ser sociais.

    Então, qual o efeito da economia social sobre as pessoas, os produtores e provedores de serviços?

    Qual o produto que pode ser definido de "social", e qual o serviço que deve ser definido de "social"?

    Quais as características de um produto social?

    Quais as características de um serviço social?

    Se apenas sob a intervenção do Estado ou Governo os produtos e os serviços são "sociais", como se explica o funcionamento dos MERCADOS até hoje?

Ver artigo principal: Economia Social de Mercado Porquê a busca pela "terceira via"?

[1]Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordoliberalismo/.

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